Fortalecendo a Produção Nacional de Medicamentos
Em uma iniciativa significativa para aumentar a autonomia do Brasil na saúde pública, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na última quinta-feira (19/2) no parque industrial da Biocon, em Bengaluru, Índia. O objetivo da visita foi fortalecer a produção nacional de medicamentos, especialmente os de alta complexidade. Durante a visita, Padilha explorou as instalações dedicadas à fabricação de medicamentos biológicos, destacando o pertuzumabe, utilizado no tratamento do câncer de mama HER2-positivo, mesmo nos estágios mais avançados da doença.
O ministro também teve a oportunidade de conhecer os processos de criação de medicamentos à base de GLP-1, como a semaglutida, frequentemente referida como a ‘caneta emagrecedora’, indicada tanto para diabetes tipo 2 quanto para obesidade.
“Estivemos em uma das maiores fabricantes de medicamentos biológicos e biossimilares. Esses são medicamentos modernos que visam tratar o câncer, doenças autoimunes e outras condições crônicas. Nossa intenção é produzir esses medicamentos no Brasil, garantindo assim maior acesso para a população e salvando vidas. A Biocon, sendo uma potência nesse setor, também possui amplo conhecimento sobre peptídeos, que podem futuramente ser utilizados no tratamento de outras doenças, além de diabetes e obesidade”, afirmou Padilha. O ministro reafirmou a expectativa de que essa interação entre empresas brasileiras e indianas resulte em novos acordos, ampliando a tecnologia e a produção de medicamentos no Brasil.
A Índia se destaca como uma das principais potências farmacêuticas globais, reconhecida por sua capacidade produtiva, investimentos em inovação e um crescimento marcante na área de saúde digital.
Visita a Hospitais Inteligentes
Na agenda do dia, o ministro também conheceu a rede Narayana Health, que é referência internacional na implementação do conceito de hospital inteligente. A rede, que possui diversas unidades na Índia, além de hospitais no Reino Unido e no Quênia, se destaca pelo emprego intensivo de tecnologias digitais, que facilitam o acompanhamento dos pacientes e integram prontuários eletrônicos. O monitoramento em tempo real de equipamentos e a gestão baseada em dados são algumas das inovações que tornam essa rede referência mundial.
Durante sua visita, Padilha reuniu-se com Paul Salins, diretor médico e vice-presidente da Narayana Health, e discutiu as possibilidades de implementar conceitos semelhantes no Brasil. O objetivo é que o Ministério da Saúde, em colaboração com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, desenvolva a Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes.
A proposta faz parte do programa Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, que visa diminuir o tempo de espera para consultas, exames e procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). A implementação inicial está prevista para 13 estados, incluindo Manaus (AM), Belém (PA), Salvador (BA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Dourados (MS), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), com um foco especial nas UTIs e a criação de um hospital de emergência completamente inteligente.
“Estamos recebendo financiamento do Banco dos BRICS e formando parcerias com diversos hospitais que já adotam o conceito de hospitais inteligentes, inspirado na China e na Índia. Essa cooperação é essencial para consolidar uma parceria estratégica com a futura rede de cuidados no SUS”, concluiu Padilha, destacando a relevância dessas inovações para o futuro da saúde no Brasil.
