Estado de Alerta para Intoxicação por Metanol Durante o Carnaval
À medida que o Carnaval se aproxima, diversos estados brasileiros estão em estado de alerta devido a casos de intoxicação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas. O Ministério da Saúde revelou que em 2025, o Brasil registrou 76 casos de intoxicação por metanol, resultando em 25 mortes confirmadas e outras oito sob investigação. Até 3 de fevereiro deste ano, sete novos casos foram identificados, com 13 investigações em andamento.
São Paulo, em particular, foi o estado mais afetado. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) atualizou, recentemente, os números e confirmou 52 casos de intoxicação, incluindo 12 óbitos. As vítimas variam em idade e local de residência, abrangendo desde a capital até cidades como São Bernardo do Campo e Osasco. Ademais, quatro mortes estão em investigação, uma delas envolvendo um paciente de 39 anos em Guariba.
A SES-SP alerta a população para os perigos das bebidas adulteradas e enfatiza a importância de consumir produtos de estabelecimentos regularizados. As recomendações incluem verificar a procedência das bebidas e evitar a compra de itens de origem desconhecida, especialmente durante este período festivo.
Medidas de Vigilância e Cuidados Necessários
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) de São Paulo está coordenando ações com as Vigilâncias Sanitárias Municipais, focando na inspeção de estabelecimentos e vendedores ambulantes que oferecem bebidas alcoólicas. Isso inclui a verificação rigorosa da origem e qualidade dos produtos comercializados.
A secretaria também recomenda que bares e estabelecimentos estejam atentos quanto à procedência dos produtos. A população é incentivada a adquirir somente bebidas com rótulos apropriados, lacres de segurança e selos fiscais, prevenindo assim riscos de intoxicação.
Naquele mesmo contexto, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) confirmou oito casos de intoxicação por metanol, com cinco óbitos registrados em outubro e novembro de 2025. A SES-PE alerta que bebidas de origem duvidosa podem conter metanol, um álcool tóxico que pode provocar graves consequências, como cegueira e falência renal.
Fiscalização em Municípios e Prevenção
A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) está realizando mais de quinhentas inspeções sanitárias em bares e locais com grande aglomeração, assegurando que as normas de segurança alimentar sejam seguidas. Na Bahia, foram confirmados nove casos, com três mortes. A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou que reforçou os estoques de antídoto para tratamento em caso de intoxicação.
No Paraná, a Sala de Situação sobre intoxicação por metanol foi encerrada em novembro de 2025, com seis casos confirmados e três óbitos. Enquanto isso, em Mato Grosso, as autoridades de saúde intensificaram as ações de vigilância, embora não tenham registrado novos casos há mais de um mês.
Iniciativas no Rio de Janeiro e Reconhecimento dos Sintomas
O Rio de Janeiro, que não apresentou casos ou mortes por metanol, está utilizando um Laboratório Itinerante do Consumidor para testar bebidas durante o Carnaval. O equipamento portátil verifica a autenticidade das bebidas, alertando sobre produtos falsificados durante as festividades. Em ações recentes, foram apreendidos cerca de 26 litros de bebidas adulteradas.
Os sintomas iniciais de intoxicação por metanol podem aparecer em até seis horas após a ingestão e incluem dor abdominal intensa, sonolência e confusão mental. Após 24 horas, os sinais podem se agravar, resultando em problemas visuais e até convulsões. Por isso, é vital procurar atendimento médico imediatamente em caso de qualquer sintoma incomum.
O patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho ressalta que o metanol, ao ser metabolizado, produz substâncias muito tóxicas, afetando principalmente o sistema nervoso e gerando complicações graves. A intoxicação pode ser confundida com uma ressaca comum, dificultando o diagnóstico precoce.
O Ministério da Saúde orienta que as pessoas evitem bebidas sem rótulo ou vendidas em condições suspeitas e busquem atendimento médico ao perceber qualquer anormalidade após o consumo. O cuidado na escolha das bebidas e a atenção aos sinais do corpo são fundamentais para garantir um Carnaval seguro.
