O Papel Transformador da Cultura
No dia 10 de fevereiro, Salvador foi o palco de estreia do Fórum Brasil Criativo, promovido pela Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura (SEC). Este evento marca o início de uma série de encontros que ocorrerão em todas as regiões do Brasil, com o objetivo de discutir a relevância da cultura e da economia criativa para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do país. O fórum reuniu gestores, especialistas e representantes do setor cultural, que se uniram para explorar como a cultura pode impulsionar o desenvolvimento.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a renomada economista Mariana Mazzucato, reconhecida internacionalmente por suas contribuições em economia e políticas públicas, marcaram presença na abertura do fórum. Durante o evento, também foi realizada a aula inaugural de 2026 da Escola Solano Trindade de Cultura e Economia Criativa (Escult). Este espaço foi criado com a intenção de promover a formação e qualificação de profissionais da área cultural.
Um dos destaques do evento foi a apresentação do Observatório Celso Furtado de Economia Criativa, que se dedica à coleta e análise de dados relevantes para o setor. A ministra Margareth Menezes enfatizou a importância do evento em um momento simbólico para Salvador, especialmente à beira do Carnaval. “Acreditamos no potencial transformador da cultura, que ainda é um campo pouco explorado, mas cheio de possibilidades para a economia criativa”, declarou.
Ela complementou, ressaltando que o Carnaval, por exemplo, é uma demonstração clara de como a cultura pode movimentar a economia em tempos difíceis. “Em momentos de crise, é a criatividade humana que nos oferece soluções. As respostas não vêm apenas de empresas, mas das mentes criativas que conseguem unir diferentes perspectivas para trilhar novos caminhos”, afirmou.
Um Novo Ciclo de Diálogo e Ação
Cláudia Leitão, secretária de Economia Criativa do MinC, destacou que o Fórum Brasil Criativo representa o início de um novo ciclo de discussão e ação em relação às políticas culturais. “Este é apenas o primeiro de muitos fóruns que irão dialogar com as realidades e necessidades de cada região, reconhecendo a cultura como uma ferramenta crucial para um desenvolvimento sustentável e inclusivo”, comentou.
Em sua fala, Leitão ressaltou que “a cultura deve ter um papel central na agenda de desenvolvimento”, criando um espaço para debater as diversidades do Brasil criativo. “Mesmo que não estivéssemos aqui, a cultura brasileira continua a florescer, resistindo e nos lembrando da importância da liberdade e da criatividade”, completou.
A deputada Lídice da Mata também fez uma observação significativa, apontando a necessidade de entender a economia criativa além do simples conceito de produto cultural. Para ela, a abordagem do Ministério da Cultura amplia as discussões ao integrar inovação e criação como elementos fundamentais. “O essencial é que consigamos unir forças para colocar a economia criativa no coração do nosso desenvolvimento”, concluiu.
Aula Magna com Mariana Mazzucato
O ponto alto do evento foi a Aula Magna ministrada por Mariana Mazzucato, cujo tema foi “O valor público das artes e da cultura”. Essa aula faz parte de uma iniciativa colaborativa com o MinC. Mazzucato enfatizou que a cultura não deve ser vista como um setor isolado, mas sim como a base para o crescimento e desenvolvimento. Ela criticou a percepção de que os investimentos em cultura são despesas secundárias, defendendo que a cultura deve ser um aspecto primordial nas decisões econômicas.
Ao usar o Carnaval como uma referência, Mazzucato afirmou que o evento deve ser encarado como uma plataforma constante de inovação e coesão social, cujo impacto se estende além dos dados imediatos da economia. “É crucial que medimos o valor abrangente do Carnaval, que envolve formação, criatividade e promoção da saúde mental ao longo do ano”, ressaltou.
O projeto Brasil Criativo tem como pilares a formação e qualificação de profissionais da cultura, além da produção de dados confiáveis que ajudem a orientar políticas públicas fundamentadas em evidências. Com isso, busca-se garantir que a cultura receba a atenção que realmente merece no cenário nacional.
