O Desempenho da Air Europa no Brasil em 2025
A operação da Air Europa no Brasil apresentou resultados muito além das expectativas em 2025, encerrando o ano com um desempenho robusto que se estendeu para 2026. Gonzalo Romero, diretor-geral da companhia espanhola no Brasil, revelou que a taxa média de ocupação dos voos no último ano atingiu entre 92% e 93%, um índice considerado excepcional para o setor da aviação comercial. Para se ter uma ideia, no período pré-pandemia, em 2018 e 2019, taxas entre 83% e 85% eram vistas como saudáveis para rotas de longo curso.
“Foi um ano que realmente nos surpreendeu, tanto em resultados quanto em ocupação. E o mais relevante é que as primeiras semanas de janeiro de 2026 já estão acima do mesmo período do ano passado”, comentou Romero em uma entrevista ao BRAZIL ECONOMY. Em termos de receita, o crescimento foi notável em relação a 2024 e 2025, embora a empresa ainda não tenha revelado números financeiros segmentados por país.
Brasil como Destino Turístico em Ascensão
O desempenho positivo da Air Europa no Brasil se insere em um contexto mais amplo de recuperação e crescimento do turismo internacional. Em 2025, o Brasil registrou um número recorde de quase 10 milhões de visitantes estrangeiros, superando significativamente a média histórica, que varia entre 7 e 8 milhões. Romero atribui esse resultado a uma combinação de fatores, incluindo políticas públicas eficazes, um ambiente econômico favorável e um aumento na oferta de voos.
Um dos principais aspectos destacados pelo executivo é a promoção contínua do Brasil no exterior. “É o resultado de dois ou três anos de trabalho constante de divulgação do país, especialmente na Europa e na Espanha, com o apoio de órgãos como a Embratur e dos governos estaduais”, explicou. Ele acrescentou que a melhoria da imagem internacional do Brasil, aliada a um ambiente cambial mais favorável, contribuíram para aumentar a confiança dos turistas estrangeiros.
Aumento da Oferta de Voos e Conectividade
Outro fator relevante para o crescimento da Air Europa no Brasil foi o aumento da oferta de assentos disponíveis no mercado. Um maior número de voos internacionais e domésticos ampliou as opções para os passageiros, ajudando a manter elevados níveis de ocupação. Ao mesmo tempo, a evolução da infraestrutura aeroportuária e dos serviços hoteleiros intensificou a capacidade do país de receber visitantes. “Hoje, o Brasil possui aeroportos bem estruturados, verdadeiras portas de entrada para o turismo internacional, além de uma hotelaria mais preparada para atender os turistas”, avaliou Romero.
No modelo de operação da Air Europa, a conectividade doméstica é um diferencial estratégico. A empresa mantém parcerias com as três maiores companhias aéreas brasileiras, proporcionando conexões rápidas a partir de São Paulo para diversas capitais e cidades do país. “Grande parte dos nossos clientes chega de Madrid a Guarulhos e, de lá, seguem para outros destinos no Brasil”, enfatizou o diretor.
Perspectivas e Desafios para o Futuro
Ao analisar o fluxo entre Brasil e Europa, Romero destacou que a política migratória mais restritiva dos Estados Unidos não redireciona necessariamente passageiros em massa para o continente europeu. Para ele, os dois mercados são complementares. “Aqueles que gostam de viajar para os Estados Unidos continuam indo, enquanto os que preferem a Europa optam por este destino”, disse. Ele reconhece que fatores como o custo do visto americano podem influenciar marginalmente a decisão de alguns viajantes.
Em relação à Europa, o executivo ressalta a atratividade do produto turístico como um todo. A estabilidade do euro frente ao dólar e a facilidade de visitar múltiplos países tornaram a Europa mais acessível para os turistas brasileiros. “Antes, o euro era visto como um ‘monstro’, mas hoje a percepção é mais racional, o que facilita a decisão de viagem”, complementou.
Atualmente, a Air Europa mantém 11 frequências semanais entre o Brasil e a Europa, sendo sete voos entre São Paulo e Madrid e quatro entre Salvador e a capital espanhola. Todos os voos conectam-se no hub da companhia no Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas, oferecendo acesso a uma vasta rede de destinos na Europa e na América do Norte.
Para 2026, a Air Europa não planeja aumentar a capacidade operacional no Brasil, mas focará em consolidar seu produto atual e fortalecer sua presença no mercado brasileiro. “Sabemos que há muitos passageiros que ainda não conhecem ou nunca voaram com a Air Europa. Nosso objetivo é proporcionar essa experiência a eles agora”, finalizou Romero.
Embora o cenário econômico continue desafiador, com custos elevados principalmente devido à dolarização do setor, a estabilidade do preço do combustível no mercado internacional em 2025 trouxe um respiro financeiro para as companhias aéreas. Romero acredita que um câmbio favorável, com o dólar abaixo de R$ 5,20 em 2026, pode impulsionar ainda mais o turismo emissivo no Brasil. “Quando o câmbio é favorável, mais pessoas se sentem motivadas a viajar”, concluiu o executivo, mantendo uma perspectiva otimista para o futuro.
