Crise Hídrica Sem Precedentes em Pernambuco
Pernambuco vive um cenário alarmante em relação à crise hídrica, com 107 municípios em situação de emergência, conforme dados da Defesa Civil. A situação é ainda mais crítica, com 23 reservatórios em colapso, sendo que a barragem de Jucazinho, a sexta maior do estado, opera com apenas 0,83% de sua capacidade. Sete barragens já apresentam 0% de água acumulada, deixando milhares de famílias sem acesso a água potável.
A escassez de água não afeta apenas o consumo doméstico; agricultores estão perdendo suas plantações e, consequentemente, sua fonte de renda. Essa realidade é uma clara consequência do sistema capitalista, que transforma um recurso essencial à vida em mercadoria, tornando seu acesso cada vez mais difícil para a população.
As Mudanças Climáticas e Seus Efeitos sobre os Mais Vulneráveis
A crise hídrica em Pernambuco é uma extensão do problema climático global. Segundo o jornalista Vijay Prashad, as cem maiores corporações do mundo são responsáveis por 71% das emissões de gases de efeito estufa. Essa mesma lógica de exploração se reflete na gestão da água, onde grandes monopólios, como a BRK Ambiental, pressionam pela privatização da Compesa, enquanto os cidadãos comuns lutam para ter acesso a esse recurso vital.
Enquanto as corporações acumulam lucros bilionários, a carga da crise hídrica recai sobre os trabalhadores e aqueles que vivem em áreas periféricas e rurais. Essa desigualdade é alarmante, mostrando que, na busca incessante por lucro, a vida das pessoas se torna secundária.
A Privatização e Seus Efeitos Desastrosos
A governadora Raquel Lyra (PSD) defende a privatização da Compesa como solução para os problemas hídricos do estado. No entanto, a experiência com a BRK Ambiental, que opera em várias cidades, revela que a privatização não melhora a situação. Em Tocantins, por exemplo, 70% da população passou a sofrer com a falta de esgoto adequado após a privatização.
Dados do IBGE mostram que Pernambuco ocupa a 21ª posição nacional na oferta de água, com 39,7% dos lares dependendo de fontes alternativas para abastecimento. A realidade é a de um sistema que privilegia os mais ricos, enquanto os menos favorecidos se veem obrigados a arcar com tarifas cada vez mais altas por serviços de qualidade duvidosa.
A Compesa: Uma Conquista Popular
A Compesa foi criada a partir da luta popular por acesso a saneamento e água. No entanto, sob a justificativa de atrair investimentos, o governo de Raquel Lyra, com apoio do governo federal, propõe a concessão da empresa. A promessa de investimentos de R$ 23,2 bilhões levanta questionamentos: quem realmente pagará por isso? O peso recairá sobre a população, que já enfrenta a escassez de água e a degradação do serviço público.
Uma Luta Necessária
Essa situação evidencia uma verdade inegável: o capitalismo não é sustentável para a vida. A água deve ser vista como um direito fundamental, não como uma mercadoria. É vital que os recursos hídricos estejam sob controle público e atendam as necessidades da população, especialmente dos mais vulneráveis.
O movimento da Unidade Popular tem se unido a outras organizações civis na Frente Contra as Privatizações, realizando atos e manifestações durante todo o ano de 2025 para resistir a essa política privatista. O leilão da Compesa, realizado de forma opaca no final de 2025, entrega a gestão da água a interesses privados por 35 anos, demonstrando que a luta contra esse retrocesso é essencial. É inaceitável socializar prejuízos enquanto se privatiza o lucro.
Privatizar a água é uma ofensa ao povo! Defender a Compesa pública é lutar pela vida e pelo futuro de todos os pernambucanos.
