Análise das dificuldades enfrentadas por empresas ligadas ao ministro do Turismo
A Faculdade de Ciências e Tecnologias de Natal (Faciten), associada ao atual ministro do Turismo, teve seu descredenciamento pelo Ministério da Educação (MEC) em novembro de 2025 devido a sérias falhas nos serviços educacionais. Outra instituição vinculada ao ministro, a Faculdade de Campina Grande, foi suspensa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em julho do ano passado e se encontra inativa desde 2024. Até o momento, o ministro não comentou sobre as situações.
Renato Feliciano, irmão do ministro e sócio-administrador da mantenedora da Faculdade de Campina Grande, afirmou que Gustavo “não é mais sócio, nem representante legal, das empresas” e que as pendências trabalhistas estão sendo tratadas individualmente.
Trajetória Empresarial do Ministro
A trajetória empresarial de Gustavo Feliciano, ministro do Turismo, é marcada por desafios. Na plataforma e-MEC, ele ainda figura como dirigente da União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc-PB), instituição sob a qual seu irmão também é sócio. Embora credenciada em 2003, a Unesc-PB não operou pelo menos desde 2024, conforme relatos de ex-professores, apesar de continuar registrada como ativa no MEC, habilitada para oferecer até oito cursos de graduação.
Infelizmente, a Unesc-PB foi suspensa do Fies na mesma época, após a não submissão de informações ao Censo da Educação Superior. Em seu auge, a instituição começou a apresentar dificuldades financeiras, incluindo atrasos no pagamento de salários e na contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de seus funcionários. Um ex-docente que trabalhou por mais de década na universidade relatou que os problemas de pagamento começaram a se intensificar a partir de 2012. Indivíduos que participaram da gestão da faculdade expressaram suas frustrações ao ver o ministro compartilhando imagens de uma viagem ao Japão, enquanto a instituição enfrentava problemas financeiros.
Impacto da Pandemia e Ações Judiciais
Com a pandemia, a situação da Unesc-PB se agravou ainda mais. Uma ex-docente relatou a falta de infraestrutura adequada para o ensino remoto, levando a um abandono em massa por parte dos alunos. Em 2022, o número de estudantes caiu para cerca de 300, o que provocou a demissão de muitos professores e funcionários. Nos anos 2010, a faculdade chegou a ter aproximadamente 2.600 alunos.
Números alarmantes surgem em relação às pendências trabalhistas, com 313 ações registradas no Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região. Um caso específico, já decidido em primeira instância, é indicativo da falta de pagamento de salários e rescisões trabalhistas. Em outro processo, uma professora que atuou na instituição entre 2016 e 2017, sem registro na carteira, foi indenizada em R$ 24 mil.
Dívidas e Descredenciamento
Além das questões trabalhistas, a Unesc-PB figura na lista de devedores da União, com um débito de R$ 2,59 milhões, sendo R$ 1,6 milhão relacionados a dívidas previdenciárias. A trajetória de dívidas da família Feliciano se estende à União de Ensino Superior da Paraíba (Unipb), que gerencia a Faciten, também descredenciada pelo MEC em novembro do ano passado.
O descredenciamento, uma das penalizações mais graves para instituições de ensino superior, ocorreu por deficiências na qualidade do ensino e na observância das normas do MEC. O processo que resultou na suspensão da Faciten teve início em setembro de 2025, com caráter sigiloso.
Atuação no Setor Imobiliário
Além de sua atuação no setor educacional, Feliciano também se destacou no setor imobiliário como sócio da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários, sediada em Campina Grande. A construtora enfrenta pendências com a PGFN, totalizando cerca de R$ 200 mil, sendo a maior parte referente a débitos previdenciários. Atualmente, a empresa também está registrada sob o nome de Soraya Rouse Santos Araújo, secretária parlamentar do deputado Damião Feliciano, pai do ministro.
