Reflexões sobre a Relevância Cultural
O Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente, celebrado em 24 de janeiro, foi criado em 2019 pela UNESCO com o objetivo de dar visibilidade a histórias, saberes e vozes que, historicamente, foram silenciados. Essa data não apenas celebra as contribuições da cultura africana para o mundo, mas também promove um diálogo sobre diversidade e pertencimento. É importante ressaltar que a cultura africana chegou ao Brasil através dos povos trazidos como escravizados, um legado que moldou profundamente a identidade nacional.
Neste ano, a data será marcada por diversas iniciativas que visam lembrar e valorizar essa herança cultural. Entre os entrevistados, destaca-se Rose Oliveira, empreendedora cultural à frente do espetáculo “Ginga Tropical”, que há mais de dez anos celebra a diversidade musical brasileira no Centro Cultural Veneza, em Botafogo. Rose enfatiza que este dia é uma conquista simbólica e política, que ajuda a romper com silenciamentos históricos e legitima uma cultura muitas vezes marginalizada. “Ver a existência de um dia reconhecido mundialmente para celebrar a cultura africana e afrodescendente é extremamente significativo”, comenta.
A Importância da Celebração
Além de Rose, outros nomes relevantes da cultura afrodescendente também compartilham suas visões sobre o significado dessa data. O ator José Araújo, por exemplo, destaca a importância do dia como um momento de reflexão e celebração das conquistas da cultura afro-brasileira. “É um dia para mostrar a nossa diversidade étnica e cultural, e para lembrar que a nossa cultura não está apagada, graças aos nossos ancestrais”, observa.
Para Alexandre Naddai, diretor de Comunicação do Instituto Pretos Novos, a criação do Dia Mundial da Cultura Africana é fundamental, mas ele alerta que o avanço ainda é insuficiente. “Apesar das políticas públicas que existem, a valorização da cultura afrodescendente precisa ser ampliada”, afirma. Ele ressalta que a memória da violência sofrida pelos escravizados e a necessidade de reparar essas injustiças históricas são questões centrais para o reconhecimento e valorização da cultura afro-brasileira.
Desafios e Avanços na Valorização Cultural
Adriana Barbosa, diretora da iniciativa Viva Pequena África, complementa que celebrar o dia é reafirmar a centralidade dos saberes e das expressões que emergem da cultura negra. “Essa data reforça a urgência de políticas públicas que garantam memória, reparação e um futuro equitativo”, destaca. Ela acredita que fortalecer espaços como a Pequena África é essencial para valorizar a cultura afrodescendente e garantir visibilidade a artistas e lideranças locais.
Além disso, a hairstylist Letícia Figueiredo ressalta a conexão histórica das tranças com a cultura africana e a resistência da identidade negra. Para ela, cada penteado carrega uma narrativa rica de pertencimento e memória. “Tranças não são apenas estética, mas uma forma de resistência e conexão com a ancestralidade”, afirma.
Um Convite à Reflexão e ao Respeito
Por fim, o professor Rogério Andrade Barbosa, autor de “Como surgiu o primeiro Griot”, reforça que o Dia Mundial da Cultura Africana e Afrodescendente é um convite para reconhecer a força das histórias que sustentam identidades e modos de existir. Ele acredita que a celebração da data deve ser vista como uma prática de resistência em um mundo que muitas vezes tenta silenciar vozes negras. “Meu desejo é que essa escuta atenta da ancestralidade inspire novas gerações a compreender e respeitar a cultura africana”, conclui.
Comemorado em 24 de janeiro, este dia é mais do que uma celebração; é um chamado à reflexão sobre as desigualdades que ainda persistem. A cultura africana e afrodescendente é parte fundamental da identidade brasileira, e o reconhecimento e valorização de sua história são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
