Mercosul e a Assinatura do Acordo com a UE
No próximo sábado, 17 de junho, ocorre em Assunção, capital do Paraguai, a assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o único chefe de Estado do Mercosul a não estar presente na cerimônia. O evento contará com a presença dos líderes Santiago Peña, do Paraguai, Javier Milei, da Argentina, Yamandú Orsi, do Uruguai e Rodrigo Paz, da Bolívia. O Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira, enquanto autoridades europeias, como Ursula Von der Leyen e António Costa, também marcarão presença.
Lula, por outro lado, decidiu realizar um encontro bilateral com Von der Leyen na véspera do evento, no Rio de Janeiro. Essa escolha foi pautada pela estratégia de priorizar uma imagem que ressalte sua liderança no processo de negociação do acordo, que já dura mais de duas décadas. A presidente da Comissão Europeia destacou essa liderança ao afirmar: “O senhor é um líder profundamente comprometido com os valores que prezamos: democracia, ordem internacional pautada em regras e respeito”.
Reações à Decisão de Lula
A decisão de Lula em não comparecer ao evento em Assunção gerou descontentamento entre os demais líderes do Mercosul. Fontes da imprensa local informaram sobre a irritação do presidente argentino, Javier Milei, e o desconforto do anfitrião, Santiago Peña, em relação à escolha do presidente brasileiro. A ausência de Lula é vista como uma quebra de protocolo que pode impactar as relações entre os países do bloco.
O cronograma da cerimônia em Assunção está definido e inclui a chegada dos chefes de Estado às 11h30, com o início das falas oficiais às 12h, seguida da assinatura do acordo às 12h50. A atividade será encerrada com uma foto oficial às 13h. Porém, é importante salientar que a assinatura do acordo não significa que ele entrará em vigor imediatamente; será necessária a aprovação do Parlamento Europeu e das assembleias legislativas de cada país do Mercosul.
Desafios Futuro do Acordo
O Parlamento Europeu já agendou para a próxima quarta-feira, 21 de junho, a votação de dois pedidos de eurodeputados para que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE seja submetido à avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia. Essa avaliação pode atrasar a implementação do tratado, que tem sido alvo de debates relacionados às suas implicações econômicas e sociais. Caso o Tribunal dê um parecer negativo, o acordo não poderá ser ratificado até que seja alterado.
Esse tipo de judicialização tende a prolongar o processo e a avaliação costuma levar de 16 a 18 meses. Com o cenário político e econômico em constante mudança, as negociações e promessas do passado em relação ao Mercosul e à integração com a Europa se tornam ainda mais complexas. O futuro desse acordo é incerto, e a ausência de Lula na cerimônia de assinatura pode ser uma indicação das tensões políticas que permeiam o bloco.
