Reconhecimento Histórico e Preservação da Cultura Baiana
No dia 16 de junho, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, visitou Cachoeira, município do Recôncavo Baiano, para cumprir agendas que marcam um importante avanço no reconhecimento e preservação do patrimônio cultural da região. Durante sua visita, a ministra participou de duas cerimônias significativas: a entrega da placa que reconhece o Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê como Patrimônio Cultural do Brasil e a assinatura da ordem de serviço para obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Cachoeira, conhecida como a Cidade Heroica, desempenhou um papel crucial na luta pela Independência do Brasil. A cidade abriga um dos mais ricos conjuntos históricos do país, refletindo expressões culturais profundamente ligadas às raízes africanas e à religiosidade popular. O terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, um espaço religioso de quase 100 anos, é um dos marcos dessa rica herança cultural.
A primeira cerimônia ocorreu no próprio terreiro, que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em fevereiro de 2024. O reconhecimento foi realizado por unanimidade, destacando o valor histórico, cultural e ambiental do local.
Durante a entrega da placa, a ministra Margareth Menezes reforçou a importância do reconhecimento como um ato reparador. “Este momento representa uma mudança de perspectiva nas políticas de preservação do patrimônio brasileiro. Precisamos reconhecer a contribuição dos terreiros e da cultura afro-brasileira para a formação do nosso país”, afirmou a ministra, ressaltando que o ato simboliza uma reparação histórica e simbólica.
Compromisso com a Diversidade Cultural
A ministra ainda destacou o papel fundamental do Estado na proteção dos direitos culturais e no combate ao racismo estrutural. “Estamos aqui para garantir que todas as religiões sejam respeitadas e tratadas com dignidade. Este reconhecimento fortalece a comunidade de Cachoeira e todo o Recôncavo baiano”, acrescentou.
O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Fabrício Oliveira Guanais, enfatizou que o tombamento do terreiro vai além de uma simples formalidade. “Este ato representa um compromisso do Estado brasileiro com a proteção e a salvaguarda deste espaço sagrado e suas práticas culturais”, declarou. Ele também mencionou que o patrimônio cultural é indissociável e abrange tanto sua dimensão material quanto imaterial.
A prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, expressou sua emoção ao participar deste momento histórico. “Como pessoa evangélica, compartilho este reconhecimento com respeito e fé. Este é um momento de união e amor”, disse, destacando a importância do respeito às diferentes crenças.
Pai Duda de Candola, líder do terreiro, compartilhou experiências sobre os desafios enfrentados pela comunidade ao longo dos anos e ressaltou a importância do tombamento como um sinal de paz. “Este processo trouxe tranquilidade não apenas para o terreiro, mas para a comunidade como um todo”, afirmou.
O major Vitor Maciel, representante da segurança pública, reiterou o compromisso da Polícia Militar em proteger a comunidade e a liberdade de expressão cultural e religiosa. “Estamos aqui para garantir os direitos fundamentais de todos”, disse.
Obras de Restauração e Preservação
Além da cerimônia no terreiro, Margareth Menezes também presidiu a assinatura da ordem de serviço para a realização de obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que contará com um investimento de R$ 775,9 mil. O templo, que é parte do conjunto urbano tombado pelo Iphan desde 1971, se encontra em estado de deterioração e necessita de intervenções urgentes.
As obras incluirão a descupinização, substituição do telhado, revisão do madeiramento, restauração de esquadrias e estabilização da estrutura. O objetivo é assegurar a preservação do monumento e melhorar as condições para sua conservação.
Durante a cerimônia, a ministra destacou a importância do patrimônio religioso na construção da identidade nacional. “Cachoeira e toda a Bahia são muito mais do que patrimônios arquitetônicos; são memória viva da história do Brasil”, ressaltou.
A prefeita Eliana Gonzaga também enfatizou a relevância das políticas culturais e a necessidade de diálogo com o Governo Federal para atender as demandas da população. “Fortalecer políticas culturais é preservar nossa memória e identidade”, concluiu.
Naiara Jambeiro, guardiã da Igreja, celebrou o início das obras como um sonho coletivo, mostrando que a fé e a luta valem a pena. “Este é um dia que marca o início de um sonho que começa a se tornar realidade”, disse emocionada.
Por fim, Hermano Guanais reiterou que a preservação do patrimônio cultural depende da consciência da comunidade sobre sua importância. “Igreja preservada é igreja viva, com celebrações e a memória coletiva da fé”, concluiu.
