Avanços na Neurocirurgia: Novo Método Promissor para Alívio da Dor Lombar
O médico piauiense Francisco Sampaio Júnior, neurocirurgião do Hospital Sírio-Libanês e da Rede D’Or em São Paulo, apresentou uma inovadora técnica de tratamento para hérnia de disco, conforme divulgado na revista científica International Society for the Advancement of Spine Surgery. Francisco, que se originou do município de Itainópolis e é filho do ex-prefeito Dr. Chico Sampaio, é o autor principal do estudo que documenta essa nova abordagem.
A pesquisa, realizada em conjunto com outros especialistas do Hospital Sírio-Libanês, introduz uma alternativa minimamente invasiva para pacientes que sofrem de dor ciática resultante de hérnias de disco lombar agudas. Esta condição frequentemente não responde a tratamentos convencionais, como medicamentos ou fisioterapia. A técnica desenvolvida envolve a aplicação direcionada de corticosteroides através de uma injeção epidural transforaminal infraneural, que atinge diretamente a área afetada pela inflamação da raiz nervosa comprimida pela hérnia.
A hérnia de disco lombar é uma das principais causas de ciática e provoca grande parte dos atendimentos por dor lombar. Embora muitos pacientes apresentem melhora espontânea, uma significativa porcentagem continua a sofrer de dor persistente, podendo chegar a situações que exigem intervenções cirúrgicas. A nova técnica tem como objetivo interromper essa evolução, proporcionando alívio da dor e evitando cirurgias desnecessárias.
O estudo acompanhou pacientes com radiculopatia lombar aguda, confirmada por exame clínico e ressonância magnética, entre 2022 e 2024. Os procedimentos ocorreram em ambiente cirúrgico, com sedação leve e anestesia local, garantindo a segurança dos pacientes. A técnica utiliza fluoroscopia, tecnologia que permite a visualização em tempo real, para direcionar a agulha com precisão até o espaço epidural anterior, especificamente pelo triângulo de Kambin, uma área que permite o acesso seguro à raiz nervosa.
A abordagem infraneural proposta reduz o risco de complicações neurológicas e vasculares em comparação com métodos tradicionais, além de utilizar uma quantidade menor de corticosteroides, minimizando a exposição sistêmica ao medicamento. Isso é especialmente benéfico para indivíduos que não podem usar anti-inflamatórios a longo prazo.
O estudo incluiu 99 pacientes, com idades variando de 20 a 91 anos. Após um acompanhamento de seis meses, aproximadamente 85,9% dos participantes relataram estar livres da dor radicular, um índice considerado muito alto para casos que geralmente são refratários aos tratamentos clínicos convencionais. Além do controle da dor, houve uma significativa melhora na capacidade funcional dos pacientes, avaliada pelo Índice de Incapacidade de Oswestry, que é amplamente utilizado na avaliação de doenças da coluna. A maioria dos pacientes passou de um estado de incapacidade moderada ou grave para uma limitação mínima nas atividades diárias.
O estudo também revelou que apenas uma pequena fração dos pacientes precisou de cirurgia após o procedimento, reforçando a eficácia da técnica como uma alternativa não cirúrgica. Mesmo quando o bloqueio não resultou em alívio definitivo da dor, o método proporcionou um tempo maior para que os pacientes se preparassem melhor para possíveis intervenções cirúrgicas.
Na discussão do estudo, os autores ressaltam que os bloqueios epidurais transforaminais são reconhecidos na literatura médica como uma opção válida no tratamento da radiculopatia lombar. No entanto, a abordagem infraneural proposta por Francisco Sampaio Júnior se destaca pela precisão anatômica e segurança. Comparações com pesquisas anteriores mostram que as taxas de sucesso são iguais ou superiores a outras técnicas epidurais, com uma menor incidência de efeitos colaterais.
Embora existam limitações no desenho do estudo, como ser unicêntrico e não randomizado, os resultados sublinham a relevância clínica da técnica, abrindo espaço para novas pesquisas comparativas. Para a comunidade médica, essa pesquisa representa um avanço significativo no tratamento da hérnia de disco lombar aguda, especialmente para aqueles que sofrem com dor intensa e incapacitante.
A inovação apresentada pelo médico piauiense está alinhada com uma tendência crescente na medicina moderna: o desenvolvimento de tratamentos menos invasivos, que favorecem uma recuperação mais rápida e apresentam riscos reduzidos ao paciente. Com respaldo científico e publicação em uma revista internacional, a técnica coloca Francisco Sampaio Júnior em destaque no panorama da neurocirurgia e na medicina da dor.
