Estudo Revela Dados Sobre o TEA em Idosos
A prevalência autodeclarada de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre idosos brasileiros, ou seja, aqueles com 60 anos ou mais, é de 0,86%. Isso corresponde a aproximadamente 306.836 indivíduos. A pesquisa indicou que essa taxa é ligeiramente maior entre os homens, alcançando 0,94%, em comparação com 0,81% entre as mulheres. Esses dados foram gerados a partir de uma análise realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), utilizando informações do Censo Demográfico de 2022.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 70 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com algum nível de TEA, uma condição que se caracteriza por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social. Embora o diagnóstico do TEA ocorra, geralmente, na infância, essa condição persiste ao longo da vida. Contudo, em adultos mais velhos, o reconhecimento do transtorno ainda é limitado, refletindo em desafios tanto para o diagnóstico quanto para o acesso a terapias adequadas.
“Esses dados ressaltam, do ponto de vista das políticas públicas de saúde, a necessidade urgente de desenvolver estratégias para identificar e apoiar adultos mais velhos com TEA. A prevalência tem aumentado nos últimos anos, mas a literatura científica nacional e internacional ainda é escassa sobre o TEA no contexto do envelhecimento”, afirma Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro, pesquisadora do PPGCS na PUCPR.
Desafios na Vida dos Idosos com TEA
De acordo com a especialista, as pessoas idosas que estão no espectro do autismo tendem a apresentar uma expectativa de vida reduzida e uma alta prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão. Além disso, elas enfrentam um risco maior de declínio cognitivo e de condições clínicas, incluindo taxas elevadas de doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.
Essas dificuldades são exacerbadas por questões como problemas de comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez de comportamento, que podem dificultar ainda mais o acesso à saúde por parte dessa população. O conhecimento sobre a prevalência do TEA em idosos no Brasil é, portanto, um passo inicial crucial para compreender suas necessidades e apoiar as políticas públicas direcionadas a esse grupo específico.
Desafios no Diagnóstico do TEA em Idosos
A identificação do TEA em pessoas idosas apresenta diversas dificuldades. Algumas das manifestações do transtorno, como isolamento social, inflexibilidade e comportamento rígido, podem ser confundidas com características de outros transtornos ou ainda com sintomas de ansiedade, depressão ou demência. Além disso, a escassez de profissionais capacitados para fazer essa identificação, somada às mudanças nos critérios de diagnóstico, torna o processo ainda mais complexo.
“Quando o diagnóstico é finalmente feito, muitos idosos sentem um alívio, pois isso proporciona uma explicação para as dificuldades interpessoais e sensoriais que vivenciaram ao longo de suas vidas, o que resulta em uma maior autocompreensão e aceitação”, conclui a especialista.
