Novas Diretrizes e Avanços na Saúde da Mulher
O ano de 2025 foi marcado por transformações relevantes na área da saúde da mulher, especialmente nas práticas de ginecologia e obstetrícia. Tanto as diretrizes nacionais quanto as recomendações internacionais passaram por atualizações que impactaram diretamente o cuidado com as pacientes. Protocolos de rastreamento revisados, novas diretrizes sobre contracepção e debates sobre suplementação nutricional foram alguns dos principais pontos que definiram esse período de modernização nas práticas clínicas.
Rastreamento do Câncer do Colo do Útero Agora Com Teste de HPV DNA
Uma das inovações mais significativas na saúde pública brasileira em 2025 foi a adoção do teste de HPV DNA como o método primário para o rastreamento do câncer do colo do útero. Essa decisão, formalizada pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer, reconhece a maior sensibilidade desse exame na detecção de lesões precursoras quando comparado ao tradicional exame citopatológico. Essa mudança não apenas otimiza a precisão dos diagnósticos, mas também amplia o intervalo entre os exames, especialmente em resultados negativos, reduzindo intervenções desnecessárias e economizando recursos. Com isso, o Brasil se alinha a países que já utilizam essa testagem molecular como padrão em rastreamento.
As novas diretrizes também reorganizam o fluxo de atendimento para mulheres com resultados positivos, estabelecendo critérios claros para colposcopia e testes complementares. Essa combinação de testagem mais sensível e um fluxo de acompanhamento baseado em riscos reforça a eficiência do programa de rastreamento e aproxima o país da meta global de eliminação do câncer cervical como um problema de saúde pública.
Alterações no Rastreio do Câncer de Mama: Mamografia aos 40 Anos
Outra mudança significativa ocorreu em outubro de 2025, quando o Ministério da Saúde alterou a idade mínima para a mamografia no SUS, que passou de 50 para 40 anos. Essa decisão foi fundamentada em estudos recentes que demonstram os benefícios da detecção precoce nessa faixa etária, além de ajustar a política nacional às recomendações internacionais. Essa medida impacta diretamente a cobertura do rastreamento e requer uma reorganização na rede de diagnóstico e tratamento.
A decisão ministerial está alinhada com as recomendações de diversas entidades médicas, como o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que há anos defendem a realização de mamografias anuais a partir dos 40 anos. Essa revisão é um passo importante para garantir que as políticas públicas se alinhem ao conhecimento científico e promovam acesso equitativo ao diagnóstico precoce.
Atualizações da OMS Sobre Contraceptivos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também fez avanços significativos ao publicar a sexta edição dos critérios de elegibilidade para contraceptivos, revisando mais de cem recomendações. Uma das mudanças mais notáveis é a inclusão do acetato de medroxiprogesterona (DMPA) como seguro para mulheres que amamentam nas seis primeiras semanas após o parto. Além disso, as principais terapias para o HIV foram categorizadas como totalmente compatíveis com o uso de contraceptivos hormonais, o que amplia a segurança reprodutiva das mulheres.
As atualizações da OMS também abordaram a profilaxia pré-exposição (PrEP), classificando todos os esquemas como compatíveis com qualquer método contraceptivo. Essas recomendações fortalecem a autonomia reprodutiva e alinham as diretrizes à prática clínica contemporânea.
Suplementação de Cálcio na Gestação: Novos Debates
No início de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a incorporação da suplementação de cálcio para todas as gestantes do SUS como uma estratégia preventiva contra a pré-eclâmpsia, especialmente em áreas com baixa ingestão alimentar desse mineral. Contudo, uma revisão Cochrane publicada em dezembro do mesmo ano trouxe à tona um debate sobre a eficácia da suplementação, sugerindo que o cálcio tem pouco impacto na redução do risco de pré-eclâmpsia em diversas populações.
Apesar da segurança e acessibilidade da suplementação, os resultados indicam a necessidade de uma reavaliação das políticas universais, além de direcionar esforços em intervenções que mostrem maior eficácia em prevenir as complicações gestacionais.
Reflexões Finais
As mudanças observadas em 2025 trazem um panorama de evolução contínua na saúde da mulher. A introdução do teste de HPV DNA para rastreamento cervical e a redução da idade para mamografia são avanços importantes na prevenção de cânceres relevantes, alinhando o Brasil às melhores práticas globais. Além disso, a atualização dos critérios da OMS para contraceptivos reforça a segurança e a autonomia das mulheres, enquanto os debates sobre suplementação de cálcio na gestação destacam a importância da evidência científica na formulação de políticas públicas. Integrar essas novas evidências à prática assistencial é essencial para atender às necessidades das mulheres no país.
